| Um dos grandes destaques apresentados durante o ASRA 2006
(American Society of Regional Anesthesia and Pain Medicine) em São Francisco,
Califórnia, foi o uso de cetamina para pacientes com fibromialgia. Recomendada
em casos refratários a outros tratamentos, a cetamina age diretamente como
inibidor do receptor NMDA (responsável pela perpetuação da
dor). Estudos comprovaram que os pacientes tratados com cetamina, em algumas situações,
não apresentaram quadro de dor ou, em alguns episódios, as crises
são menos dolorosas.
Caracterizada por sintomas como dor em diversas partes do corpo, fadiga inexplicável,
irritabilidade, depressão e sensação de formigamento em braços
e pernas; a fibromialgia é uma síndrome de difícil diagnóstico
que pode ser mascarada pelos sintomas citados acima, atinge de 2% a 5% da população,
ou seja, ela acomete cerca de 3,5 a 8,9 milhões de brasileiros. Aproximadamente
90% apresentam quadro de fadiga, entre 44% e 56% têm cefaléia e distúrbios
do sono se manifestam entre 56% a 86% dos casos.
No Brasil, essa nova opção de tratamento já é recomendada
pela reumatologista Evelin Goldenberg. “Notamos que alguns pacientes não
respondiam ou não apresentavam um resultado satisfatório com a medicação
existente, provocando até o afastamento do convívio familiar e social.
Com o uso da cetamina percebemos uma melhora nos episódios de dor e, em
alguns casos, até a ausência, devolvendo a auto-estima do paciente”,
comenta a Dra. Evelin Goldenberg, mestre e doutora em reumatologia pela Universidade
Federal de São Paulo (UNIFESP) – Escola Paulista de Medicina, que
teve a oportunidade de participar do Congresso este ano.
“A fibromialgia não tem cura, mas pode ser controlada e, com o acompanhamento
médico, permitir a retomada da qualidade de vida do paciente, independente
da idade”, conclui a reumatologista.
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