O Hospital Santa Rita, de São Paulo, realizou, recentemente,
estudo sobre pacientes que, por não esvaziarem totalmente o estômago,
podem aspirar o conteúdo gástrico em meio a procedimentos cirúrgicos,
causando danos aos pulmões e ao sistema respiratório como um todo.
Embora o número de casos no âmbito da estatística mundial
seja pequeno – de 0,8 a 4,7 casos para cada 10 mil anestesias, em condições
normais, de não-urgência -, a instituição resolveu
fazer o estudo para diminuir ainda mais esse risco.
O estudo consistiu em administração de contraste em tomografia computadorizada
para que se possa visualizar, de forma clara e precisa, se há realmente
conteúdo sólido ou líquido no estômago, após
uma hora da administração. “Muitos pacientes tomam algo ou
comem pouca coisa e acabam não revelando ao médico por não
acharem que é algo significativo. Porém, o fato de não contar
um detalhe tão importante como este pode ser muito perigoso”, alerta
o anestesista Dr. Fernando Martins, responsável pela realização
do estudo.
Segundo ele, a Associação Americana de Anestesiologistas (ASA) recomenda
guardar jejum para alimentos líquidos sem resíduos (água,
café sem açúcar, chá sem açúcar, sucos
sem polpa) de, pelo menos, duas horas antes das intervenções. Para
refeições leves, como torradas com chá, por exemplo, existe
a necessidade, segundo a instituição, de seis horas, no mínimo.
“Para o estudo, realizamos exames tomográficos que incluem a ingestão
de contraste para avaliar se há resíduos no estômago, após
determinado período de tempo e, com isso, tornar mais segura a cirurgia”,
explica Martins. De acordo com o médico, visualizando-se o que há
realmente no estômago, o risco de o paciente aspirar um eventual conteúdo
diminui drasticamente, chegando quase a zero. “O contraste com a tomografia
computadorizada possibilita verificar clara e nitidamente tudo o que existe no
estômago e, com isso, decidir o momento correto da realização
do procedimento, dando mais segurança ao paciente, ao cirurgião
e ao anestesista”, finaliza Dr. Fernando Martins. |