A Unidade de Terapia Intensiva da Casa de Saúde São
José, no Rio de Janeiro, levou a expertise brasileira ao 27º International
Symposiun on Intensive Care and Emergency Medicine, um dos mais importantes do
mundo, que aconteceu na Bélgica, entre os dias 27 e 30 de março.
Uma das pesquisas apresentadas pela equipe do hospital foi realizada pioneiramente
na América Latina e visa comparar um novo tipo de cateter endovascular,
recoberto por antibióticos, com os cateteres tradicionais hoje usados,
sem revestimento. O objetivo do trabalho, que foi iniciado em 2005 e concluído
no final do ano passado, é reduzir a incidência de infecção
causada por cateter, comum em pacientes que precisam receber algum tipo de substância
por via venosa em período superior a 72 horas.
De acordo com os médicos Gustavo Nobre e Marcelo Kalichsztein, chefes
do CTI da São José, os resultados obtidos apontam a melhora no controle
e a queda do índice de colonização por bactérias de
18.4% para 5.9%. “Estes testes foram feitos da seguinte maneira: um grupo
de pacientes recebeu o cateter tradicional, outros o recoberto com medicamento.
Os resultados foram, então, comparados”, explicam.
As principais infecções que incluem pacientes com internações
prolongadas estão relacionadas a cateteres venosos profundos, entre elas
a septicemia (multiplicação de bactérias no sangue) e as
bacteremias (presença de bactérias no sangue). O estudo foi aprovado
pelo Ministério da Saúde e a previsão é de que o mesmo
seja expandido a outros hospitais do Rio. Segundo os médicos, entre os
principais benefícios de introduzir cateteres com menor chance de serem
colonizados por bactérias está a diminuição do tempo
de internação, a diminuição de custos com medicamentos
e também a redução das taxas de mortalidade.
Outros estudos
Também no simpósio da Bélgica, foram apresentados outros
dois estudos, respectivamente nas áreas de Pneumologia e Hemodinâmica.
O primeiro defende a utilização de um guideline local, com recomendações
baseadas na realidade do CTI da São José para casos de pneumonia.
De acordo com o Dr. Pedro Kurtz, médico da rotina do CTI que trabalhou
com Dr. Nobre e Dr. Kalichsztein na pesquisa, grande parte dos hospitais brasileiros
ainda segue protocolos americanos para o tratamento dos casos de pneumonia, porém
os pesquisadores alegam que nem sempre este é o mais eficaz.
“As análises comparativas mostraram que utilizar antibióticos
recomendados pela American Thoracic Society representa eficácia em 76%
dos casos. Utilizar um guideline local, por sua vez, representa 88% de sucesso
contra a bactéria responsável pela pneumonia”, explica o Dr.
Kurtz, ressaltando que apesar de haver recomendações gerais seguidas
em todo o mundo, os dados mostram que é importante atentar à realidade
de cada hospital, conhecendo o perfil local das pneumonias.
O CTI da São José, inclusive, vem realizando um trabalho intenso,
com mobilização de médicos e da equipe de enfermagem, para
reduzir as taxas de pneumonia. No último ano, algumas medidas fizeram com
que a incidência da doença caísse drasticamente. Entre algumas
ações estão: o correto posicionamento do paciente no leito
(cabeceira elevada); a diminuição do tempo de sedação;
e a prevenção de trombose de membros inferiores e de úlceras
gástricas, estas que aumentam as chances de infecção pulmonar.
Já o estudo na área de Hemodinâmica compara um método
de monitorização não invasivo, chamado variação
da curva de oximetria de pulso, com a monitorização da pressão
arterial através de cateter inserido em artéria, de caráter
mais invasivo. “Os resultados mostraram que o método não invasivo
é tão eficiente quanto o segundo, fornecendo informações
para o manejo hemodinâmico dos pacientes críticos”, comenta
o Dr. Kurtz.
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