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04.09.07

Estudo aponta crescimento da
cirurgia da obesidade em mulheres

 

Estudo apresentado durante o Bariatric Endoscopy Surgery Trends – BEST 2007, que aconteceu em agosto, em Porto Alegre, mostrou que está crescendo a prática da cirurgia da obesidade em mulheres. Os números foram levantados pelo coordenador do evento, o cirurgião Nilton Kawahara, que coordena também o setor de videolaparoscopia da disciplina de cirurgia geral do Hospital das Clínicas da USP.

Interessado em traçar um perfil dos pacientes operados, Kawahara analisou um universo de 1.000 pacientes, que se submeteram à cirurgia da redução do estômago desde 1999. As estatísticas revelam que as mulheres, entre elas, da capital gaúcha, constituem a maioria dos pacientes, 78,2%. Deste total, quase metade estão entre as faixas etárias mais jovens, de 15 a 25 anos (18,9%) e de 26 a 35 anos (28,9%). Ou seja, a faixa entre 15 e 35 anos responde por quase metade das cirurgias realizadas.

Segundo Kawahara, as gaúchas estão em segundo lugar no ranking das mulheres que mais se preocupam em fazer a cirurgia de redução de estômago, bem como o regime. Além do fator cultural como a ingestão de alimentos gordurosos como bacon e carne vermelha em excesso, além do consumo de alimentos calóricos como macarrão, até por conta do frio, as sulistas são descendentes de alemães e italianos que têm o costume de comer em grande quantidade.

“Existem alguns fatores que contribuem para que a mulher seja mais suscetível à obesidade. O primeiro deles é o metabolismo mais lento em relação ao do homem a partir de uma determinada faixa etária. Uma porcentagem significativa das mulheres que chegam à obesidade também se deve à gestação, na qual a paciente engorda muito e depois não consegue recuperar o peso anterior. Também podemos dizer que a mulher, em geral, consome mais doces que os homens”, explica dr. Nilton Kawahara.

Tanto em mulheres quanto em homens obesos mórbidos, a cirurgia acaba sendo a única alternativa de tratamento. O paciente obeso mórbido, que atinge índice de massa corporal acima de 40 kg/m2, já não consegue emagrecer por meio de dietas. Em geral, ele perde de 10% a 15% do seu peso inicial e pára por aí, não consegue avançar. Depois, engorda tudo de novo, até mais do que havia perdido.

Ainda no levantamento, as mulheres na faixa etária de 36 a 45 anos representam 30,1% das operadas. Entre 46 a 55 anos, o número cai para 16,4% e acima de 56 anos, para 5,4%. “Apesar de ser um número pequeno de mulheres mais velhas que se submetem à cirurgia, é importante ressaltar que é possível aplicar as mesmas técnicas em mulheres idosas. Já operei pacientes com 70 anos. Não é porque elas atingiram determinada idade que não poderão se submeter a um tratamento que melhore sua qualidade de saúde e conseqüentemente de vida, trazendo um aumento na longevidade”, avalia Kawahara.

Os homens mais maduros também procuram a cirurgia da obesidade. O levantamento revela que eles são 18,6% na faixa dos 46 a 55 anos e 31,8% na faixa dos 36 a 45 anos. As mulheres são as campeãs porque, além de sofrerem mais com a obesidade, preocupam-se mais com a aparência e a auto-estima. Além disso, são mais corajosas e enfrentam melhor um procedimento cirúrgico. Mas isso tende a mudar, na medida em que os homens ficam mais vaidosos e passam a se preocupar mais com a saúde, conclui Kawahara.

 
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