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Em Almoço-Debate promovido pelo LIDE, o candidato tucano debateu temas como política externa, desenvolvimento da economia e carga tributária
O
candidato do PSDB à Presidência da República, José
Serra, participou no último dia 26 de Almoço-Debate com empresários
do LIDE – Grupo de Líderes Empresariais, em São Paulo, onde
abordou temas como desenvolvimento da economia, política externa, saúde
e educação. O encontro, que foi o último da série
de debates com presidenciáveis, reuniu 497 empresários e 96 jornalistas
na capital paulista.
Ao lado de toda cúpula tucana e de seu candidato a vice, o deputado
Índio da Costa (DEM-RJ), José Serra abriu o debate fazendo um breve
histórico da economia brasileira nas últimas décadas. Segundo
Serra, de 1930 até 1980 a economia brasileira foi a que mais cresceu no
mundo. E a partir dos anos 80 o Brasil sofreu com 15 anos de inflação.
Para o ex-governador de São Paulo, o baixo desenvolvimento econômico
das últimas duas décadas deve-se ao choque de estilos de governo,
referindo-se à alternância entre os governos de Fernando Henrique
Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. “Uma questão importante
é pensarmos nas tendências do Brasil nesta década. Essas eleições
vão definir os rumos que o Brasil vai tomar até 2020”, observou.
Desindustrialização
Para José Serra, o Brasil vive um processo de desindustrialização
e de uma economia primária exportadora. “Precisamos voltar a ter
um estilo de desenvolvimento industrial forte e reverter esse processo. A meu
ver, a indústria é a única capaz de fornecer ao Brasil um
grande número de empregos. Temos uma demanda de 20 milhões de empregos
no Brasil. Temos indústrias altamente capacitadas como a de calçados
e a do setor têxtil, mas que sofrem com a importação de produtos
chineses. Em algumas áreas o Brasil não consegue competir com a
importação de má qualidade”, destacou Serra.
Saúde
Assim como na palestra da candidata Dilma Rousseff, que também participou
de um almoço-debate do LIDE no início de julho, a saúde esteve
em pauta. Respondendo a pergunta feita pela presidente da Hospitalar, Dra. Waleska
Santos, sobre o setor de saúde, Serra afirmou que "o SUS – Sistema
Único de Saúde é um bom sistema e aumentou e qualificou o
índice de atendimento a população carente, mas mesmo assim,
as ações de saúde nos últimos anos não atendem
a demanda".
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| Francisco Balestrin, vice-presidente da ANAHP;
Dra. Linamara Battistella, secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência
de São Paulo; Franco Pallamolla, presidente da ABIMO; Dra. Waleska Santos,
presidente da Hospitalar; e Dr. José Luiz Gomes do Amaral, presidente da
AMB |
“Precisamos melhorar a remuneração do SUS, ampliar suas
unidades e investir em consultas e exames. Um bom exemplo é o trabalho
que vem sendo feito em São Paulo pelos AMEs – Ambulatórios
Médicos de Especialidades”. Também citou como exemplo alguns
outros casos de sucesso na área de saúde feitos pelo Governo de
São Paulo e disse que, se eleito, vai ampliar estas iniciativas para todo
o Brasil.
Para Dra. Waleska Santos, São Paulo é vista e reconhecida por outros
Estados por seus programas de sucesso na área da saúde, e se Serra,
eleito, levar estas iniciativas, que já beneficiam nosso Estado para todo
o Brasil, teremos uma revolução muito positiva na saúde.
“Serra disse que, eleito, vai tratar a saúde como Patrimônio
Nacional. Estamos precisando de um governo que coloque a saúde em primeiro
plano, porque ela é o começo de tudo, sem saúde não
se tem nada. A saúde precisa ser pauta prioritária nos novos governos”,
destacou a presidente da Hospitalar e membro do LIDE.
As mesmas questões foram encaminhadas para a candidata Dilma Roussef, na
ocasião de sua palestra. O importante, seja qual for o candidato vencedor,
é que a saúde tenha a atenção que merece nas ações
do próximo governo.
Carga tributária
Sobre o tema carga tributária, Serra aproveitou para colocar em dúvida
a percepção de sua concorrente, a candidata do PT à Presidência
da República, Dilma Rousseff. “O Brasil tem a maior carga tributária
entre os países em desenvolvimento. Dilma chegou a dizer outro dia que
isso era bom, que estávamos na média. Só que a assessoria
dela (Dilma) deixou de avisá-la que a gente tem que comparar o Brasil com
países em desenvolvimento e não com países como Suécia,
que tem uma das maiores rendas per capita do mundo”. O candidato afirmou
que para ser um país sem pobreza até 2050, é preciso crescer
4,5% ao ano.
Gargalos da exportação
O empresário Francisco Santos, presidente do Grupo Couromoda/Hospitalar,
que compôs a mesa dos debatedores do almoço, conversou com José
Serra sobre os gargalos da exportação, que estão tirando
a competitividade da indústria de manufaturas. Também falaram sobre
a Lei da Responsabilidade Cambial, idéia defendida pelo candidato e já
externada em uma de suas visitas à feira Couromoda.
“Serra é um crítico do reconhecimento da China como economia
de mercado pelo governo brasileiro e, eleito, deve propor uma nova política
para devolver competitividade aos exportadores”, diz Santos.
O presidente do Grupo Couromoda/Hospitalar salientou ainda a importância
do ciclo de almoços com os três principais candidatos e melhor colocados
nas pesquisas. "Durante os debates com Dilma e Serra tivemos a oportunidades
de abordar o tema da exportação e ambos levaram o recado da preocupação
do nosso setor com o dumping social e cambial praticado pelos países da
Ásia”, disse.
Para Santos, temos que responder com medidas firmes, que nos devolvam parcelas
de mercados importantes nas Américas e na Europa, principalmente.
Política externa
Em relação à política externa do Brasil, Serra disse
que o Brasil não tem uma política de comércio exterior e
que é a favor da tese “negócios são negócios”,
mas que o país não tem feito isso. Segundo o candidato, o Brasil
assinou apenas um acordo comercial, com Israel. Ele questionou também o
aumento de 15% da remuneração da energia do Paraguai.
Para ele, outro ponto importante do governo federal diz respeito aos direitos
humanos. "É amigo de Cuba? Então usa essa amizade para libertar
os presos cubanos, não deixa isso pra Espanha", disse em meio a aplausos.
Educação
Quanto à educação, para José Serra o Ensino Técnico
é uma importante ferramenta para melhorar a educação no país,
pois aumenta a motivação e o rendimento dos alunos e também
alavanca o desenvolvimento. “Sou a favor de treinar e especializar pessoas
desempregadas com cursos curtos de 3 a 4 meses, que têm por objetivo capacitar
estas pessoas para que possam voltar ao mercado de trabalho”. Outro ponto
destacado é a qualificação dos professores em sala de aula,
bonificações e metas por escola com prêmios, o que já
acontece no Estado de São Paulo.
Estilo de Governo
O candidato a Presidência da República também afirmou que
o PT, embora contrário, se favoreceu de projetos do PSDB como, por exemplo,
o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal e o Fundef. "O PT se beneficiou
disso tudo embora tenha votado contra tudo isso", disse durante seu discurso.
“Meu estilo de governo não está baseado na crítica
e em governar para um partido e sim para um país. Se eleito terei uma equipe
homogênea e integrada com prioridades para governar. Ultimamente no Brasil
tudo é prioridade”.
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