|
A situação nas grandes metrópoles – e, cada vez mais, também nas cidades pequenas – é permeada pela insegurança. A violência urbana é uma realidade concreta, e dia-a-dia multiplicam-se suas vítimas. Dentro deste contexto, o crime do seqüestro encontra terreno fértil – ampliando sua área de ação, aperfeiçoando seus métodos e cercando a população, tolhida em sua liberdade de ir e vir. O psiquiatra Eduardo Ferreira-Santos debate esse tema oportuno e atual no livro Transtorno de estresse pós-traumático em vítimas de seqüestro. Ele trata do transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), um grave distúrbio psicológico que pode acometer as vítimas de seqüestro.
Para construir seu livro, Ferreira-Santos – especialista em TEPT e coordenador do Grupo Operativo de Resgate da Integridade Psíquica (Gorip), que funciona no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – partiu da constatação de que o atendimento às vítimas, no que diz respeito aos transtornos psíquicos decorrentes da agressão, praticamente inexiste. Segundo o autor, em comparação com a “proteção” dada por organizações de direitos humanos a seqüestradores e demais delinqüentes, a atenção dada às verdadeiras vítimas dessa “guerra civil” é pouca ou quase nenhuma.
O psiquiatra explica que, ao contrário do que ocorre em alguns países, no Brasil não há programas sociais para esses casos. “Mesmo entre profissionais — médicos, psicólogos, psiquiatras — existe bastante desinformação sobre o transtorno de estresse pós-traumático. Nosso intuito, com o Gorip, é sensibilizar as pessoas sobre o problema e sobre a necessidade de tratamento específico para as vítimas de seqüestro”, explica.
O grau de dano moral, psicológico e financeiro que o seqüestro causa à vitima, à sua família e às pessoas próximas é pouco conhecido da maioria da população. “Nos casos mais graves, o indivíduo se torna incapacitado para prosseguir com sua vida, muitas vezes não sai de casa, não trabalha mais, não se relaciona; isso é muito sério”, afirma o autor. A frase das vítimas que melhor exprime o tamanho do problema, segundo ele, é: “Ninguém é mais a mesma pessoa depois de passar por uma experiência de seqüestro”.
Outro aspecto importante é a escassa bibliografia científica a respeito do tema, sendo que a existente se refere muito mais ao agente agressor (seqüestrador) e à sua “vitimização social” do que ao agredido e sua família. Essa carência, somada à grande experiência e ao profundo conhecimento de Ferreira-Santos, torna o livro uma referência para psicoterapeutas, psiquiatras e demais profissionais da área que lidam com pacientes atingidos pelo distúrbio.
Serviço
Título: Transtorno de estresse pós-traumático em vítimas de seqüestro
Autores: Eduardo Ferreira-Santos
Editora: Summus Editorial
Preço: R$ 32,90
Páginas: 160
Atendimento ao consumidor: 11-3865-9890
Site: www.summus.com.br |