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23.10.07

Pesquisa avalia impactos no uso da
internet na relação médico-paciente

 

A pesquisa "Navegar é Preciso: avaliação dos impactos do uso da internet na relação médico-paciente" é resultado da tese de mestrado da consultora Wilma Madeira, e foi apresentado no Conip Saúde, seminário focado na utilização de tecnologia no setor da saúde, que aconteceu no início de outubro.

Na pesquisa, a especialista investigou qual a relevância da internet e qual sua real importância quando pacientes precisam de informações sobre saúde ou doenças. Além disso, o levantamento revela qual a influência da ferramenta na participação do paciente no processo de tratamento e as possíveis reações de profissionais médicos diante desse acesso quase ilimitado de informações.

Um dos principais motivos que influenciaram na escolha do tema da pesquisa foi justamente a fragilidade observada na relação médico-paciente em atendimentos no SUS - Sistema Único de Saúde, provocando dificuldades no diagnóstico, tratamento e reconhecimento de doenças e patologias, além da diminuição da confiança que o paciente deve ter no profissional para realizar procedimentos. "Com isso, percebemos que a melhoria na relação paciente-profissional é considerada fator relevante para aumentar a qualidade do atendimento na saúde. Uma vez que o atendimento individual é uma parte importante de qualquer sistema de saúde, mudanças em seu processo têm potencial para provocar alterações significativas em organizações como o SUS, por exemplo", explica Wilma.

Entre as 116 pessoas pesquisadas, a maior parte do grupo, cerca de 33,6%, encontra-se na faixa etária que vai de 49 a 58 anos, sendo que 51,7% representam o sexo feminino. A região Sudeste também teve uma maior participação no estudo, com 69,8%, enquanto Sul e Nordeste, os colocados seguintes, tiveram 15,6% e 8,6% respectivamente.

Do grupo analisado, 53% afirmaram acessar a internet mais de uma vez ao dia, enquanto 27% utilizam a rede apenas uma vez no mesmo período. Já a porcentagem de pessoas que afirmaram buscar informações sobre saúde e doenças na internet com freqüência chega a 83,6%.

Sites de saúde do governo não estão entre os mais procurados
Quando se fala dos sites sobre saúde mais acessados, sub-tema também analisado pela pesquisa, apenas 15,2% afirmou consultar sites do governo. Escolhido por 23,9% o site www.hepato.com , especializado em hepatites e demais doenças do fígado, ocupa o primeiro lugar em porcentagem de acessos, com 23,9%. Apesar de serem instituições reconhecidas no mercado, os sites da Fiocruz e Harvard foram mencionados, respectivamente, por apenas 2,1% e 1,1%. Já pacientes que sempre acessam a internet logo após uma consulta médica representam 85,4% dos entrevistados, contra apenas 14,6% que afirmaram nunca consultar a rede ou fazê-lo com freqüência menor. Aqueles que utilizam as informações da internet para interagir, de alguma forma, com o médico durante a consulta representam 69,29% dos entrevistados.

Informações influenciam na tomada de decisões
A importância das informações levantadas na web também esteve entre os temas pesquisados. Para 67% dos entrevistados, as informações vindas da rede servem para auxiliar a decisão sobre procedimentos a serem realizados; enquanto apenas 1,56% afirmaram não terem utilidade. No entanto, 55,94% dos médicos reagem de forma negativa diante do fato do paciente pesquisar informações na internet. "Muitos sentem falta de confiança pelo paciente ou mesmo temem o auto-diagnóstico", explica Miriam.

 
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