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05.12.07
INCA finaliza Congresso com Declaração do Rio de Janeiro
 

A criação da Aliança Latino-Americana e do Caribe para o Controle do Câncer -composta inicialmente por dez países que podem, inclusive, aproveitar as bem-sucedidas experiências brasileiras nas ações antitabagismo e de criação de um banco de tumores – é uma das principais recomendações da Declaração do Rio. Este documento, que traz uma série de princípios para controle da doença, foi aprovado na última quarta-feira (28/11) pelos participantes do 2º Congresso Internacional de Controle do Câncer. O evento reuniu mais de 600 especialistas de 42 países.

O câncer é a primeira causa de morte nos países desenvolvidos e a segunda na América Latina e no Caribe. A doença é também a causa de 12.5% de todos os óbitos nas duas regiões, representando um número maior que as mortes provocadas a cada ano pela Aids, tuberculose e malária.

A Declaração do Rio também aponta a necessidade de que governos da América Latina e do Caribe reconheçam as iniciativas de prevenção e controle integral da doença como uma prioridade da política pública sanitária e desenvolvam ações para maiores impactos nas intervenções sanitárias ligadas ao câncer, com diminuição dos indicadores de morbidade e mortalidade. Representantes da Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, México, Nicarágua, Peru e Uruguai participaram da elaboração dos princípios contidos na Declaração.

Ainda segundo a Declaração, o câncer está profundamente associado à situação socioeconômica e cultural da população, que determina, em muitos casos, os fatores de risco que impactam com maior força os indivíduos mais pobres. Os doentes com menor nível socioeconômico têm taxas de sobrevivência menores e são ainda os alvos principais de alguns tipos de câncer, como o de colo de útero.

“Esperamos que as idéias discutidas intensamente pelos representantes desses países, e reunidas na Declaração do Rio, traduzam-se em ações concretas de combate ao câncer. E, sempre que possível, para alcançar a cura da doença”, disse Luiz Antonio Santini, diretor do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e coordenador geral do congresso.

Experiência brasileira: modelo para a região
De imediato, dois exemplos brasileiros podem ser aproveitados pelos países que compõem a Aliança para o Controle do Câncer: as campanhas antibagismo e o Banco Nacional de Tumores e DNA, coordenado pelo Inca.
Criado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) em abril de 2006, o Banco Nacional de Tumores e DNA (BNT) supre a necessidade de amostras de qualidade de tecidos tumorais para estudos, sobretudo com o avanço das técnicas de análise genética. “Espera-se que com estas abordagens sejam descobertos novos biomarcadores que sirvam para a detecção precoce e novos alvos terapêuticos”, afirma José Cláudio Casali da Rocha, coordenador do BNT. Cada amostra é articulada a uma série de informações: características do tumor, do paciente e do tratamento recebido, além de informações epidemiológicas, sobre a exposição a fatores de risco e sobre o histórico familiar. Também é registrado o tempo de vida do paciente após a coleta, para fins de análise de sobrevida.

Alertas em embalagens, proibição de máquinas de venda de cigarro, restrição ao fumo em áreas públicas são alguns dos sinais da campanha de restrição ao tabagismo visíveis no cotidiano do brasileiro. E começaram a ter desdobramentos na área da saúde pública: o declínio do hábito de fumar - como se sabe, uma das causas do câncer de pulmão - registrado no Brasil nos últimos anos foi um dos maiores registrados no mundo.

 
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