| O processo de análise e incorporação da tecnologia em saúde no Brasil foi o principal tema discutido no seminário “Avaliação de Tecnologias em Saúde - ATS”, realizado pela Associação Brasileira dos Importadores de Equipamentos, Produtos e Suprimentos Médico-Hospitalares (Abimed), no último dia 26 de novembro, em São Paulo. Estiveram presentes representantes da indústria de equipamentos médicos, da indústria farmacêutica, do governo e acadêmicos do setor de saúde.
De acordo com Marcos Hume, do Grupo de Avaliação de Tecnologias em Saúde da Abimed, um dos palestrantes do evento, esse processo de incorporação se iniciou no país de maneira sustentável. “O importante é que o governo decidiu investir no setor e contou com a participação de todos os segmentos da cadeia de suprimentos, inclusive a indústria. A agilidade na avaliação da tecnologia é fundamental para facilitar a entrada de produtos e equipamentos de saúde no Brasil”, explica.
Marcos Hume destaca que o processo de avaliação de tecnologia já faz parte da lista de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). “A indústria tem plena convicção da importância em se preparar para cumprir as novas exigências do governo relacionadas às novas tecnologias”.
O médico e membro do Comitê Editorial do American Journal of Medical Quality, Nelson Teich, que falou sobre o cenário atual e as perspectivas da avaliação da tecnologia em saúde, destacou que o mais importante é que todos estejam atentos ao aspecto econômico do tema. “Estudar a melhor forma de investir os recursos em tecnologia de saúde é essencial e necessário para reduzir os gastos em toda a cadeia. A avaliação da tecnologia é um processo de cerca de 20 anos e está em evolução. Hoje é essencial para o planejamento estratégico da indústria do setor”, explica.
O cirurgião cardiovascular e titular da Câmara Técnica Nacional de Medicina Baseada em Evidências (CTNMBE) da UNIMED do Brasil, Alexandre Miranda Pagnoncelli, ressaltou a necessidade de estudos científicos mais aprofundados para a incorporação de novas tecnologias no Brasil. “Precisamos ser mais críticos com a avaliação de novas tecnologias na saúde. São necessários estudos científicos de melhor qualidade metodológica, observando a eficácia, eficiência e segurança desses novos produtos e equipamentos no segmento de longo prazo. Além disso, são fundamentais melhores análises farmacoeconômicas para avaliar a real possibilidade de incorporar novas tecnologias”, explica. É consenso mundial das instituições internacionais avaliadoras de saúde: "Uma rigorosa avaliação de toda nova tecnologia ou processo inovador deve ser obrigatória antes da chegada ao usuário", alerta. |