| Funciona desde o início de dezembro a “Casa do Futuro” para idosos, no Asilo São Vicente de Paula, em São Paulo. A proposta faz parte da campanha da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) para reduzir o número de fraturas em idosos.
A casa propõe cores contrastantes na parte interna, para facilitar a visão das barras de segurança, móveis com quinas arredondadas, para evitar ferimentos, piso antiderrapante e portas mais largas para permitir a passagem de cadeirantes e camas mais altas.
Sonia Santili, vice-presidente do grupo de senhoras responsável pela Casa do Futuro no asilo, diz que a casa é para ser visitada pelas pessoas interessadas em reduzir o risco a que seus parentes idosos estão expostos e a ser seguido também pelos demais asilos. Tanto é assim, diz ela, que outros grupos ligados à SBOT já estão montando casas semelhantes em Minas Gerais, no Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Paraná e Goiânia. Rio de Janeiro e Santa Catarina deverão ter suas obras iniciadas brevemente.
Perigo dentro de casa
Recente pesquisa da SBOT comprovou que 52% dos idosos internados devido a fraturas se machucaram em casa, sendo que o lugar considerado mais perigoso é o banheiro, responsável por 18% dos acidentes. Como 42% das fraturas afetam pessoas com mais de 76 anos, parte desses acidentados podem não se recuperar e evoluir para o óbito, conforme explica Sonia.
A preocupação dos ortopedistas é que devido ao envelhecimento da população brasileira, milhões de pessoas estão chegando à idade em que a osteoporose torna as fraturas mais freqüentes, após qualquer queda.
Para os especialistas, é preciso divulgar duas linhas de atuação, a prevenção, que inclui o diagnóstico e acompanhamento com a densitometria, reposição de cálcio, exposição adequada aos raios solares e a Casa do Futuro, que muitas vezes depende de providências simples e baratas. É possível evitar acidentes com sensores que acendam a luz quando o idoso se levanta à noite para ir ao banheiro, a remoção de tapetes que podem provocar escorregões, fechaduras mais fáceis de abrir, ausência de desníveis no piso e camas mais altas, pois ao contrário do que muita gente pensa, é mais difícil para um idoso se levantar se a cama ou uma poltrona forem excessivamente baixas.
A Organização Mundial da Saúde calcula que a cada ano o Brasil tenha cerca de 100 mil fraturas de idosos, afetando principalmente mulheres, mas também os homens. O risco maior é para o sexo feminino, com idade acima de 75 anos e o alerta dos médicos é o de que é muito mais freqüente uma segunda fratura e grave em quem já teve uma fratura prévia pós-trauma de baixo impacto.
São sinais importantes também a deformidade vertebral, a perda de altura, sedentarismo, deficiência de vitamina D e consumo excessivo de álcool. O que preocupa muito é que, com uma fratura de fêmur, por exemplo, mesmo se sobreviver a longo prazo, o idoso pode ter uma perda significativa da qualidade de vida, justamente na época em que, após uma vida inteira de trabalho, ele teria oportunidade de desfrutar um merecido lazer.
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