Uma equipe médica multidisciplinar do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, é a primeira do Brasil a executar um procedimento cirúrgico que, para alguns pacientes tetraplégicos, pode significar uma verdadeira revolução em termos de qualidade de vida.
Os médicos Rodrigo Sardenberg (cirurgião torácico), Liliana Secaf (clínica-geral e nefrologista), Riad Younes (cirurgião torácico), Mário Augusto Taricco (neurocirurgião) e Roberto Kalil Filho (cardiologista clínico) realizaram o implante de um pequeno aparelho, chamado marcapasso diafragmático, em um jovem tetraplégico de 20 anos.
Vítima de uma doença neurológica chamada seringomielia, que destrói os nervos da medula na região da nuca, o jovem teve o funcionamento do diafragma (músculo responsável pela respiração normal) afetado, fato comum entre pacientes tetraplégicos. Por conta disso, há cinco anos está ligado a um equipamento que mantém a sua respiração por meio de uma traqueostomia.
Após a recuperação da cirurgia, a equipe está satisfeita com a evolução dos testes de funcionamento do novo aparelho, iniciados no último dia 15 de março. Nessa etapa, a respiração artificial é desligada durante 10 minutos por dia, para que o marcapasso comece a estimular o diafragma, fazendo o paciente respirar normalmente, sem ajuda do aparelho de respiração artificial.
“Gradativamente, em até três meses, o marcapasso devolve a capacidade original ao músculo do diafragma e o paciente poderá ser desconectado do aparelho do qual depende para respirar. Isso, sem dúvida alguma, dará nova perspectiva de vida a um paciente que antes ficava praticamente amarrado a uma cama”, afirma o cirurgião Riad Younes.
Acompanhamento pela Internet
O procedimento cirúrgico realizado pela equipe do Hospital Sírio-Libanês consiste no implante de dois eletrodos, um em cada lado do tórax, ao redor dos nervos frênicos, responsáveis pelo funcionamento do diafragma. Esses pequenos sensores, que ficam debaixo da pele, possuem antenas que os conectam a um pequeno aparelho, que funciona a base de baterias.
Os eletrodos estimulam o funcionamento dos nervos frênicos, que foram afetados pela tetraplegia. Aos poucos, o músculo do diafragma recupera a sua força e o paciente pode descartar a traqueostomia que até então mantinha a sua respiração.
A exemplo do que acontece com um marcapasso cardíaco, o diafragmático funciona de maneira ininterrupta. Em razão de sua importância para a manutenção da respiração do paciente, o aparelho é monitorado 24 horas por dia, inclusive com a ajuda da Internet.
Uma vez conectado a um computador, o aparelho envia informações sobre o seu funcionamento e eventual necessidade de manutenção ou troca de peças e baterias. Esse monitoramento é feito tanto pela fabricante do marcapasso, nos Estados Unidos, quanto pela equipe do Hospital Sírio-Libanês.
Embora seja o primeiro no Brasil, o mesmo marcapasso diafragmático já foi utilizado em mais de três mil pacientes ao redor do mundo. De origem norte-americana, é o único que conta com a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para uso no País.
Foto:
Dr. Riad Younes – diretor clínico do Hospital Sírio-Libanês
Crédito: Lili das Neves
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