O SETOR EM NOTÍCIAS - Notícias HOME 
Arquivo

15.05.2010
Avanços no uso de “escópios” na detecção do câncer


Durante a Semana de Doenças Digestivas, realizada em Nova Orleans, de 1 a 5 de maio, pesquisadores da Mayo Clinic, centro de medicina integrada, apresentaram resultados de estudos comparativos com sondas hightech. O abjetivo era verificar quais são as mais indicadas para detectar o menor pólipo pré-canceroso no cólon; prospectar nódulos linfáticos fora dos pulmões, em busca de evidências de uma micrometástase – uma proliferação de células cancerosas, que não podem ser facilmente observadas; e reduzir a necessidade de exames trabalhosos e dolorosos em pacientes com a síndrome “esôfago de Barrett”.

“Podemos ver detalhes que eram inimagináveis há 10 anos”, diz o gastrenterologista da Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, o médico Michael Wallace: “Com os sistemas mais novos, podemos ampliar uma imagem em até 1.000 vezes para examinar um ponto potencialmente problemático no cólon ou no esôfago. Isso nos permite prever que teremos, brevemente, a capacidade de fazer biópsias virtuais em pacientes – isto é, teremos a habilidade de dizer se uma lesão é pré-cancerosa, apenas por observá-la por um ‘escópio’– e, se não for, podemos deixá-la em paz. No entanto, podemos remover qualquer coisa que pareça suspeita, mesmo que levemente”, afirma.

Michael Wallace lidera vários estudos clínicos, destinados a testar os mais novos “escópios”, apresentados durante a Semana da Doença Digestiva (DDW – Digestive Disease Week) de 2010, encontro internacional anual de médicos e pesquisadores que atuam nas áreas de gastrenterologia, hepatologia, endoscopia e cirurgia gastrintestinal.

Uma dessas pesquisas descobriu que um instrumento de imagem endoscópica, com um diâmetro de apenas 1/16 de polegada, garante a maior precisão já conseguida na detecção de pequenos pólipos pré-cancerosos dentro da parede do cólon. No estudo, 84 pacientes foram testados com três tipos diferentes de tecnologia, ao serem submetidos a uma colonoscopia.

Duas dessas tecnologias – uso de luz branca regular e luz azul regular que realçam a circulação sanguínea – são consideradas o recurso padrão na maioria dos “escópios” de alta definição usados hoje em dia. Estes instrumentos possibilitam ao médico mudar de uma fonte de luz para outra, para observar pequenos detalhes adicionais no tecido do cólon. A terceira tecnologia – o sistema de endomicroscopia a laser com sonda (pCLE – probe-based confocal laser endomicroscopy) – é a tecnologia mais avançada no momento e que está sendo testada e usada na Clínica Mayo e em outras poucas instituições médicas nos Estados Unidos. Esse é um dispositivo à parte, que pode ampliar estruturas em 1.000 vezes, a um ponto em que se torna possível detectar mudanças pré-cancerosas em uma única célula – uma condição que pode indicar o desenvolvimento de um pólipo pré-canceroso.

Os pesquisadores constataram que o sistema pCLE conseguiu especificar com quase 100% de precisão se um pequeno pólipo (6 a 9 milímetros) era pré-canceroso ou não. Todos os 145 pólipos encontrados nos pacientes foram examinados pelos três métodos e então removidos e examinados por um patologista, para verificar se eram benignos ou pré-cancerosos. Segundo Dr. Wallace, a sensibilidade do sistema pCLE foi de 91%. “Os pequenos pólipos benignos foram definidos corretamente como benignos em 91% dos casos pelo sistema pCLE”. Nosso objetivo é elevar essa precisão, tanto quanto possível, para perto de 100%”.

Os pesquisadores da Mayo também estão trabalhando com uma sonda endoscópica para realizar biópsias virtuais. Hoje, durante uma colonoscopia, todas as lesões são removidas durante o exame e, posteriormente, examinadas - cerca da metade dos pólipos removidos são considerados inofensivos e sua retirada representa tempo, custos e possíveis riscos de efeitos colaterais às colonoscopias de rotina desnecessários, afirma o médico.

Esofago de Barret - A pesquisa de Michael Wallace também tem mostrado que o sistema pCLE pode reduzir o número de biópsias, feitas normalmente, em casos de esôfago de Barrett, uma síndrome em que o tecido que reveste o esôfago é substituído por um tecido que é similar ao revestimento do intestino – e que pode, então, transformar-se em câncer. Para descartar a possibilidade de desenvolvimento de câncer, os médicos normalmente fazem uma biópsia a cada 10 centímetros do esôfago, para detectar o mesmo tipo de alteração pré-cancerosas que ocorre no cólon. Normalmente, apenas uma entre 100 amostras de biópsias do esôfago apresenta uma lesão que seja efetivamente pré-cancerosa, nos exames feitos posteriormente por patologistas, diz Michael Wallace.

Os 97 pacientes participantes deste estudo foram examinados por um endoscópio padrão, com luz branca e luz azul, e, posteriormente, usando-se o sistema pCLE. Um total de 718 pontos nos organismos dos pacientes, escolhidos aleatoriamente, foram examinados e 138 lesões suspeitas foram encontradas. Os pesquisadores descobriram que as três tecnologias diferentes, quando usadas uma por vez, detectaram 85% das mudanças pré-cancerosas; uma combinação de luz branca com luz azul resultou na identificação de 92% das lesões; quando adicionaram o pCLE à prospecção, 100% das lesões pré-cancerosas foram identificadas.

“Conseguimos comprovar, então, que a adição do sistema pCLE aos exames com endoscópio padrão nos dá a habilidade de identificar todas as lesões suspeitas nos pacientes”, diz Michael Wallace. “É o caso de simplesmente usar todos eles na prática clínica. A luz branca e a azul são parte de um endoscópio e o dispositivo pCLE pode ser adicionado ao ‘escópio’. Nossa esperança é de que, no futuro, não iremos mais precisar remover tantas amostras de tecido dos pacientes e nos focar apenas naquelas que realmente tenham um potencial de se tornarem um câncer. Nosso ‘escópio’ combinado pode fazer isso e nossa esperança é a de que isso irá mudar o tipo de prospecção que os pacientes de esôfago de Barrett têm de enfrentar”, afirma.

 

envie este texto
para um amigo
versão para impressão