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07.04.03
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Pneumonia Asiática: o medo do desconhecido
Dr. Guilherme Furtado *
A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), conhecida popularmente como Pneumonia Asiática, está acometendo um número cada vez maior de pessoas no mundo inteiro. A Organização Mundial de Saúde já contabilizou 2.353 casos, com 84 óbitos, o que representa cerca de 3,5% da população infectada.
No Brasil, das três pessoas que foram internadas com suspeita de pneumonia asiática, uma já foi liberada e as outras duas continuam em observação, mas sem nenhuma confirmação.
A população brasileira não tem motivos por enquanto para entrar em pânico, mas é preciso alguns cuidados, como evitar viajar para as regiões de risco (Guang Dong, Hong Kong, Cingapura, Taiwan e Hanoi). Quem chegar desses lugares, mesmo que tenha feito uma rápida escala de vôo, deve ficar em observação durante 10 dias, que é o tempo máximo de incubação do vírus.
Em São Paulo, o Hospital São Paulo e o Hospital das Clínicas da Unicamp já estão preparados para receber pacientes infectados com o vírus. São 24 leitos cuidadosamente preparados, pois os quartos devem ter pressão negativa, ou seja, o ar só sai depois que for filtrado para não infectar os corredores.
Quando um paciente der entrada em qualquer hospital com suspeita de SRAG, a Vigilância Epidemiológica de São Paulo é chamada para avaliar o caso e sendo constatada a suspeita, esse paciente será imediatamente transferido para esses hospitais de referência.
Os primeiros casos da SRAG surgiram há cerca de quatro meses na China e chamou a atenção por se propagar de maneira devastadora. Até agora não foi possível identificar qual o vírus que está causando essa nova pneumonia, nem como ela é transmitida. Profissionais na área de saúde acreditam que o vírus se propague da mesma maneira que o sarampo, a tuberculose e o ebola, ou seja, pelo ar, mas essa teoria ainda não foi confirmada.
Os sintomas são os mesmos de qualquer outra pneumonia viral ou bacteriana: febre alta, acima de 38,5ºC, tosse e/ou fadiga, dispnéia (falta de ar) e, neste caso especificamente, história de contato direto ou indireto com as áreas de risco.
Como não se sabe o tipo de vírus que está causando a doença, tratá-la fica ainda mais complicado. Drogas antivirais já estão sendo usadas nos casos mais graves, mas sem nenhuma certeza de que surtam efeito no paciente. Inicialmente, o que pode ser feito é um tratamento de suporte, ministrando oxigênio e controlando a febre, mas nada efetivo.
* Dr. Guilherme Furtado é infectologista do Hospital Bandeirantes (SP)
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