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05.05.03
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Câncer
de mama e avanço social:
um novo cenário para tratamento da doença
Dra. Alice Rosante Garcia* |
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A incidência de tumores
de mama nas mulheres tem aumentado significativamente,
o que vem preocupando cada vez mais a sociedade médica
do mundo e a população em geral. Nos últimos 20 anos,
a taxa de mortalidade causado por este tipo de câncer
aumentou cerca de 70%.
Para termos uma idéia do rápido aumento desse número,
em 1979 o índice registrado era de 5,7 óbitos para cada
100 mil mulheres, passando para 9,7 óbitos para cada 100
mil em 1999. Essas estatísticas colocam o câncer de mama
no topo da lista das causas de morte por câncer na população
feminina brasileira localizada na faixa etária entre os
40 e 70 anos, seguindo o panorama do que acontece no mundo
inteiro.
Sabe-se que a razão para esse fenômeno é o aumento de
população de risco. Com a urbanização constante, as mulheres
passaram a adquirir maiores responsabilidades, adiando
a primeira gravidez para o período dos 35 e 40 anos e
adquirindo hábitos como aumento da obesidade entre a população
feminina, reposição de hormônios durante a menopausa,
uso abusivo de álcool e do fumo, que podem ser considerados
primordiais para o desenvolvimento de doenças cancerígenas.
Por outro lado, podemos considerar que esses fatores de
risco são passíveis de controle e orientação, enquanto
que os genéticos (mãe e/ou irmã com câncer de mama) são
imutáveis.
Independente da origem, a grande maioria dos tumores de
mama são detectados pela própria mulher durante a realização
do auto exame das glândulas. O quanto antes o problema
for descoberto, maior é a possibilidade de aplicação de
tratamentos menos agressivos porém eficazes, tentando
evitar a mastectomia - a retirada do total tumor por meio
de cirurgia.
Aproximadamente metade dos casos detectados já está em
fase avançada na mama quando percebidos pela paciente
e com diagnóstico confirmado pelo especialista. Embora
ainda curáveis esses casos necessitam de tratamentos e
cirurgias mais agressivos para que a mulher tenha uma
maior chance de cura. Além disso, permitir o avanço da
doença pode causar um processo conhecido no meio médico
como metástase, o crescimento do tumor localizado (no
caso da mama) a outros órgãos como ao pulmão e aos ossos.
Apesar da variedade e qualidade dos tratamentos terem
melhorado bastante, acredita-se que ainda há muito para
caminhar. Há 20 anos, os conceitos científicos em relação
à abordagem do câncer de mama eram muito simplistas e
com poucos detalhes, o que tornava o tratamento quase
empírico em algumas situações. Este cenário mudou. Hoje
se conhece muito mais sobre o câncer de mama e a mensagem
transmitida para mulher em vários meios de comunicação
é de que a prevenção é fundamental.
Tanto o governo, como ONGs e entidades privadas estão
investindo e priorizando campanhas de conscientização
da população feminina quanto a necessidade do auto exame
mensal em casa e a visita ao ginecologista ou mastologista
anualmente. Grande parte destas divulgações insiste e
chama muita a atenção das mulheres para todos os métodos
de prevenção primária, que é conhecer e evitar os fatores
de risco ou desencadeantes, além da prevenção secundária,
realizada através do auto-exame das mamas, que deve ser
feito mensalmente sempre alguns dias após a menstruação.
Entre os principais fatores desencadeantes que as mulheres
devem observar para realizar a prevenção primária são
o uso abusivo do álcool, fumo, obesidade, gravidez tardia
e reposição hormonal pós-menopausa, entre outros.
As campanhas sempre procuram orientar as mulheres para
a realização de mamografias periodicamente. Dos 35 aos
40 anos deve ser feito o primeiro exame, que se não apresentar
riscos servirá de ponto de partida para as próximas mamografias
que deverão ser feitas a cada dois anos, dos 45 aos 50.
Acima de 50 deve ser feito anualmente. Mas isso não significa
que essa pontuação seja uma regra imutável a ser seguida.
Caso a mulher tenha algum fator de risco genético, como
a presença de tumores de mama em parentes diretos como
mãe e/ou irmãs, a mamografia precisa ser efetuada anualmente,
independente de idade.
Devemos lembrar que 15% das mamografias são falso-negativas,
ou seja, a mulher percebe o nódulo no corpo, mas o exame
não o detecta. A mamografia normal com nódulo palpável
não afasta a doença. Nesses casos se faz uma punção do
nódulo que se também for negativa não deve ser valorizada,
o que significa que para afastar definitivamente a presença
de doença nesses casos deve-se fazer a nodulectomia, uma
cirurgia simples onde se tira apenas o nódulo suspeito
para uma melhor análise.
Hoje já sabemos que o câncer de mama não é necessariamente
uma sentença de morte e que a doença que se manifesta
clinicamente já está instalada há bastante tempo, portanto
também não é urgência. Assim, a mulher pode perfeitamente
se inteirar bem da extensão da sua doença e de qual o
melhor método de tratamento disponível, para o seu caso
especificamente, que permita alta taxa de cura com menor
agressividade. Esses detalhes deverão ser oferecidos exclusivamente
por médicos mastologistas e/ou oncologista, ou até mesmo
por quantos especialistas ela precisar ouvir. Uma vez
tudo bem explicado é hora de escolher com segurança o
caminho a ser trilhado para alcançar a cura.
Alguns dos passos desse caminho são biópsia para o diagnóstico,
estagiamento para verificar a exata extensão da doença
através de exames e, finalmente, a cirurgia que poderá
ser total (retirada completa da mama) ou conservadora
(retirada somente do quadrante afetado), seguida de radioterapia,
quimioterapia e hormonioterapia, que podem ser usadas
separadas ou conjuntamente.
Quanto mais informações a mulher conseguir sobre as particularidades
de sua doença mais ela poderá participar das decisões
junto com seus médicos e familiares, tornando-a mais segura
e mais forte para enfrentar seu tratamento.
Quando vier o total controle sobre a doença e, se foi
necessária alguma mutilação para se conseguir a cura,
logo chegará o momento da reconstrução da mama, que também
será definida pelo médico baseado na extensão inicial
da doença.
A medicina estética também avança cada vez mais e, atualmente,
as técnicas de reconstrução e o grau de perfeição de algumas
próteses já existentes na área acabaram definitivamente
com a imagem traumática da mulher mastectomizada. Diante
deste cenário atual e do que se passou nestes últimos
20 anos, apesar da ciência ainda não ter encontrado a
cura definitiva para alguns tipos de tumores, entre eles
o de mama, houve grandes avanços como o de reintegrar
a mulher tratada deste tipo de neoplasia à sociedade.
Graças à participação muito ativa das próprias mulheres
no cuidado com sua saúde, como também às campanhas de
alerta e melhora de recursos para atendimento da população
mais carente, os métodos de prevenção vem sendo cada vez
mais difundidos.
A prevenção é a principal arma contra a doença. A educação
é o caminho que temos que seguir para efetivar ações preventivas
e detectar precocemente todos males da saúde que atingem
as populações de todo o mundo.
Dra Alice Rosante Garcia é médica especializada
em oncologia clínica e atua na clínica Oncocamp, de Campinas,
SP |
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