Nos
primórdios da humanidade, além da competição pela
vida, o homem tinha que driblar as intempéries da época. Enquanto
os outros animais fugiam em busca de áreas mais quentes, os humanos descobriram
o fogo, aprenderam a se cobrir com peles provenientes das caças e a se
agrupar em cavernas para fugir do frio. Socializaram-se, dominaram a terra e começaram
a manipular o meio ambiente. O progresso desordenado e irresponsável da
raça humana fez da sua trajetória evolutiva o exemplo do homem que
esgota na juventude as forças que vai precisar na maturidade.
A ambição desenfreada pelo domínio do planeta levou ao
descaso com a saúde da natureza, e hoje a terra, em meia vida, dá
sinais de que está enferma. “SALVE O GREEN PEACE”...
A camada de ozônio, por exemplo, que protege a vida animal e vegetal
dos raios ultravioleta (UV) emanados do sol e hoje enfraquecida, permite a espoliação
da vida e transforma a terra em uma grande fornalha. O resultado desse comportamento
vem trazendo serias conseqüências ao próprio homem. A catarata,
por exemplo, tornou-se uma degeneração precoce do cristalino, sendo
seus primeiros sinais detectados aos trinta e cinco anos de idade, em várias
pessoas. Esta opacificação da lente natural do olho é responsável
pela cegueira de pelo menos doze milhões de pessoas e pela redução
significativa da visão de outros dezoito milhões de indivíduos
em todo o mundo.
O sol que sempre foi fonte de vida e saúde leva também a culpa
por três outros problemas oculares relativamente comuns. Um deles é
o pterígio, um “crescimento carnoso” que invade a córnea
danificando a visão nos casos mais avançados. Outro é a pingüecula.
Uma elevação amarelada ou esbranquiçada que se desenvolve
na esclera nasal constituindo uma fonte de irritação e desconforto
freqüentes. O terceiro problema ligado aos efeitos nocivos dos raios ultravioleta
do sol é a degeneração macular relacionada à idade.
Há uma destruição impiedosa dos neurônios da mácula,
área central da retina responsável pela nitidez da visão
central. Hoje, cerca de um quarto da população mundial acima de
setenta e cinco anos de idade, apresenta esta degeneração em diversos
graus.
Ainda como conseqüência dos raios UV, é o câncer de
pele responsável, só nos Estados Unidos, pelo desaparecimento anual
de doze mil pessoas.
Apesar dos transtornos causados à humanidade pela redução
de 12% da camada de ozônio a cada década, os países que mais
poluem o planeta e dilapidam esse filtro natural, fecham os olhos e não
cumprem o tratado de Kyoto, assinado em 1997, no Japão.
Enquanto isso, o que nos resta é adotar lentes escuras munidas de filtros
anti-UV, passar protetores solares na pele, reverenciar os líderes mundiais
e dizer que o sol é mesmo o vilão da história.
* Dr. Canrobert Oliveira é chefe do Departamento
de Cirurgia Refrativa do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB)
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