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As opiniões manifestadas nesta seção são de inteira responsabilidade dos autores, não representando, necessariamente, o pensamento da direção
da feira Hospitalar

 

10.01.06

Dor nas costas: uma auto-avaliação pode ajudar muito
Dra. Evelin Goldenberg*
 

A dor tem sido e sempre será um grande problema para a saúde da humanidade. Ela significa queda de produção no trabalho, nervosismo pessoal, incômodo na convivência social e, principalmente, muito sofrimento para o paciente.

Embora a ciência tenha mecanismos de avaliação sobre as diferentes dores que o ser humano pode sentir, nenhuma determinação técnica é superior ao diagnóstico do próprio paciente. Cada um sabe como ninguém o quanto dói a sua própria dor. E entre todas elas existe uma muito especial, a dor nas costas. Especial porque atinge mais de 80% da população brasileira. E é dela que vamos falar.

A dor nas costas está diretamente relacionada com uma série de fatores que podem atingir qualquer um de nós: idade, sexo, tabagismo, erros posturais do dia-a-dia, sedentarismo, obesidade, hereditariedade e um histórico de já ter tido dores anteriormente. Quaisquer que sejam as fontes deste problema ele tem solução e, apenas na minoria dos casos, leva o paciente a sofrer uma cirurgia – apenas 4% dos casos identificados em clínica realmente merecem uma atenção cirúrgica – a maioria dos casos é tratada com medicação oral ou infiltrações localizadas que exigem no máximo uma anestesia local, associadas a exercícios físicos orientados e mudanças de hábitos.

Pelos sintomas que abordamos no histórico de pacientes com fortes dores nas costas, um dos que chamam mais a atenção é a depressão. Se mais de 80% da população brasileira sofre de dores nas costas, podemos dizer que mais de 70% das pessoas com quadro de depressão têm o mesmo problema.

Dor nas costas é um sintoma de que algo está errado. Pode ter múltiplas causas, desde erros de postura, doenças da própria coluna como a hérnia de disco e os bicos de papagaio, as fraturas por osteoporose, tumores ósseos, doenças inflamatórias, contraturas musculares, fibromialgia, depressão e doenças de outros órgãos, como a úlcera no estômago e pedra nos rins. O seu diagnóstico é eminentemente clínico e requer um inventário físico, psíquico e social, bem como um exame físico extremamente detalhado. Os exames subsidiários, entre eles a ressonância magnética, apenas servem para a confirmação diagnóstica. Não devemos tratar exames, e sim pessoas, logo, laudos de exames obrigatoriamente têm de apresentar uma correlação com a clínica do paciente. Sabe-se que 30% das pessoas sem nenhum tipo de dor nas costas que forem submetidas a um exame de ressonância magnética da coluna terão hérnias ou protusões discais no seu laudo; assim é importante sabermos interpretar e correlacionar com a clínica do paciente os exames subsidiários. A clínica e a relação médico-paciente é sempre soberana.

Todas estas informações nos levam a uma reflexão muito interessante. A dor nas costas é um problema grave que deve ser levado ao reumatologista, e que exige uma avaliação detalhada deste médico com o seu paciente. Consultas rápidas, baseadas em laudos de exames, certamente colocarão o paciente em risco de sérios erros diagnósticos e condutas inadequadas.

* Dra. Evelin Goldenberg é reumatologista e coordenadora do curso de pós-graduação em reumatologia, com ênfase ocupacional do Hospital Albert Einstein, São Paulo, e professora colaboradora da disciplina de Clínica Médica da Unifesp-EPM

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